segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Sea

Ela estava deitada procurando um isqueiro na gaveta ao lado da cama, com o cigarro ja pendurado na boca. Ela ouviu o chuveiro sendo desligado e olhou para a porta do banheiro esperando ele sair.
- Ei! Onde você colocou? - ela gritou, e ele apareceu com a toalha em volta da cintura.
- Eu não sabia que você fumava
- Eu não fumo.
Ele pegou o isqueiro na calça jogada no chão e acendeu o cigarro na boca dela. Ela tragou, de olhos fechado. 
Ele olhou olhou para ela. O cabelo bagunçado, a maquiagem borrada. O sinal que ela tinha no queixo, os seios pequenos e a calcinha preta despretensiosa. Ela olhava para as fotos na parede, e parecia soprar em algumas.
Ele a achava interessante. Mas só isso. Ela não era bonita, não era muito inteligente, nem cheia de peculiaridades. Ela era facil de entender, parecia ser boba e eventualmente problemática, mas facil. Ela era interessante, e só isso.
Ela se demorou muito em uma foto antiga, com alguem que os dois conheciam. Eles se conheciam a anos, mas essa era a primeira vez que ele olhava pra ela dessa forma. E a primeira vez que, vendo ela olhar para aquela foto, percebeu que ela era realmente interessante. E realmente boba e eventualmente problemática. Fácil.
Ela deitou na cama de novo, pegou outro cigarro e acendeu.
- Eu transei com ele.
- Ele nunca me disse nada. Quando foi que...
- Uns dois anos atrás. Não deu certo. Ele queria sexo, e eu não gosto de sexo.
- Eu não sabia que vocês tinham se envolvido dessa forma.
- Não nos envolvemos. Era só isso mesmo, mas eu não gosto de fazer sexo.
Ele ficou olhando pra ela, pensando o por quê, mas não quis perguntar. Ela não parecia querer falar sobre aquilo mais. Ele se deitou ao lado dela e colocou um cigarro na boca, enquanto ela cantarolava alguma musica que ele não conhecia. Ela deitou no seu peito e segurou sua mão.
Ele gostava de como ela não era dele. Pela primeira vez ela não era de ninguem. E ela tambem gostava disso.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Say Something

- Você é muito conto de fadas.
Eu: Conto de fadas? Por que?
- É tudo lindo. O jeito que Vocé fala... Parece que vc vive em um conto de fadas.

domingo, 18 de janeiro de 2015

Bloco de notas #1

Eram 1:20 da manhã. Ela se sentou diante do computador, e recomeçou a escrever. Escrevia achando que daquela forma eternizava algum momento, verdadeiro ou não. Era interessante poder transformar seus pensamentos como se fosse a verdade de alguém, nunca a dela. Era interessante como essa distância fazia tudo mais palpável. Fazia muito tempo desde a ultima vez que escrevera alguma coisa. Isso costumava lhe fazer bem...

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

When we first met

Seu cabelo era grande quando ela o viu pela primeira vez. E tantas coisas aconteceram naquela época, que tê-lo conhecido não fez muita diferença. Nada fez diferença para ela naqueles dias. Mas, mesmo com o tempo passando, tranformando aqueles dias em passado, algumas coisas permaneciam com ela no presente. E ela resolveu cortar o cabelo. Externalizous, botou pra fora tudo aquilo que estava em escesso dentro dela, personificou o que sentia nos fios de cabelo que iam ao chão.
Nesse novos dias, ele, que a conheceu de cabelos grandes, veio e a fez feliz. E essa felicidade durou dias, semanas, meses... Ele vivia a vida como se soubesse de tudo, como se conhecesse tudo por inteiro, e ela vivia a cortar o cabelo. E um dia ela lhe contou sua história, tudo que já tinha visto, feito, sentido... E lhe disse, então, uma coisa que nunca havia contado a ninguem:
"Você não foi o primeiro que eu amei," ela falou "mas foi o primeiro pra quem assumi isso."
E ele percebeu. Essa ideia, de tê-la como ninguém nunca a teve, deixou tudo mais claro. Ele deveria estar ao lado dela!
E ela via os dias se repetirem, o amor deles ir embora, e o seu cabelo crescer. Tudo exatamente como devia ser. Só que ela não queria que fosse assim. E ela tinha que cortar o cabelo outra vez.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Track #1

I pictured a rainbow
You held in your hands
I had flashes
But you saw the plan
I wondered out in the world for years
While you just stayed in your room
I saw the crescent
You saw the whole of the moon!
The whole of the moon!
You were there at the turnstiles
With the wind at your heels
You stretched for the stars
And you know how it feels
To reach too high
Too far
Too soon
You saw the whole of the moon!
I was grounded
While you filled the skies
I was dumbfounded by truths
You cut through lies
I saw the rain-dirty valley
You saw brigadoon
I saw the crescent
You saw the whole of the moon!
I spoke about wings
You just flew
I wondered, I guessed, and I tried
You just knew
I sighed
But you swooned
I saw the crescent
You saw the whole of the moon!
The whole of the moon!
With a torch in your pocket
And the wind at your heels
You climbed on the ladder
And you know how it feels
To reach too high
Too far
Too soon
You saw the whole of the moon!
The whole of the moon!
Unicorns and cannonballs,
Palaces and piers,
Trumpets, towers, and tenements,
Wide oceans full of tears,
Flag, rags, ferry boats,
Scimitars and scarves,
Every precious dream and vision
Underneath the stars
You climbed on the ladder
With the wind in your sails
You came like a comet
Blazing your trail
Too high
Too far
Too soon
You saw the whole of the moon!

(The waterboys - The hole of the moon)